“Lutar pela igualdade
sempre que as diferenças nos discriminem; lutar pelas diferenças sempre que a
igualdade nos descaracterize.”
Boaventura
de Souza Santos
Colégio Estadual
Landulfo Alves
O Colégio Estadual Landulfo Alves, situado à
Avenida Engenheiro Oscar Pontes, s/n, bairro de Água de Meninos, município de
Salvador, capital
do estado da Bahia, tem sua criação determinada pela Portaria de
n.º 667, publicada no Diário Oficial do Estado de 23 de janeiro de 2002.
Colégio Estadual Landulfo Alves é uma das
Unidades de Ensino que compõem o Complexo Educacional Jiquitaia, mantido pela
Secretaria da Educação do Estado, e inserido no Centro Múltiplo Oscar Cordeiro,
do Governo do Estado da Bahia.
Notícia
10 ANOS DO COLÉGIO LANDULFO ALVES
“Os anos passam e a nossa história vai sendo construída.
Através dessa construção, nossas vidas vão tomando rumos diferentes.
Mas é no espaço escolar que muitas pessoas escrevem um capítulo em comum de sua história individual e coletiva”.
O Colégio
Estadual Landulfo Alves já faz parte da história de vida de muitas pessoas – Estudantes, Diretores(as), Professores(as), Corpo Técnico e Funcionários(as).
Inaugurado em
18 de março de 2002, fez,
em 2012, 10 anos de existência, resistência, luta, trabalho, ensino e
aprendizagem
Desde a sua inauguração, essa unidade
escolar é responsável pela oferta do Ensino Médio
Regular e Tempo
Formativo II.
Iniciou a
implantação de um currículo proposto pela Reforma do Ensino Médio, promovendo a transformação das metodologias de ensino, no redimensionamento da aprendizagem, na concepção e planejamento de
aulas e, fundamentalmente, na concepção da função da escola numa sociedade que precisa caminhar,
cada vez mais, para a valorização: 1. do
processo de inclusão social e digital, a partir do respeito à diversidade; 2.
da mobilização estudantil, como reconhecimento
das potencialidades individuais e coletivas de jovens e adultos; 3.
do conhecimento e sua (re)apropriação
permanente,
reconhecendo a ideia de que se aprende em vários espaços e nas diversas épocas
da vida.
Dessa forma, o
Colégio Landulfo
Alves sempre contou com profissionais de educação competentes para criar a cultura da aprendizagem com qualidade, aparelhando as suas
dependências, oferecendo mais recursos didáticos às aulas,
ampliando o acesso do(a)
estudante à informação e ao conhecimento, utilizando
outros espaços de aprendizagem que se afinem com a identidade do alunado, tornando mais prazerosa a sua permanência e assegurando-lhe o sucesso como estudante-ser humano-cidadão.
Parabéns a todos(as) que fizeram e fazem
parte dessa história!
Relatos de experiências
ATIVIDADES
DE ADAPTAÇÃO
Em uma das escolas de Salvador em
que desenvolvo minhas atividades educativas, como temos recebido, cada vez mais,
ao longo de desses últimos anos, estudantes com necessidades educacionais
especiais, temos buscado, antes de qualquer outro procedimento, conhecer
esse(a) estudante e adaptá-lo(a) à comunidade escolar e da sala de aula. Para
tanto, existem contatos com as famílias, os profissionais que acompanham o(a)
estudante para detalhamento dos limites e possibilidades de cada indivíduo(a). Muitas
dessas informações são passadas para os professores, que discutem atividades,
adaptações, ações a serem colocadas em prática.
A adaptação do(a) estudante à
turma é feita de diversas formas: dinâmicas, jogos, exibição de filmes, assembleia
de sala, entre outras.
Ainda, assim, existe a
necessidade urgente de capacitação dos profissionais da educação para inclusão
de estudantes com necessidades educacionais especiais ao processo de ensino e
aprendizagem.
DESCOBRINDO POSSIBILIDADES
Tenho uma experiência com o uso das Tecnologias
Assistivas, em suas diversas possibilidades. Ela foi vivida em uma escola da
cidade do Salvador. Tivemos um aluno, o chamarei de “J”, que chegou à escola
com 13 anos de idade, cursando o 6o Ano do Ensino
Fundamental. “J” dormia muito em sala de aula, babava, era desorganizado com
seu material, apresentava dificuldade na fala, na escrita, coordenação motora
fina comprometida, era, também, ridicularizado pelos colegas e pouco assistido
pela família. Começamos, a equipe pedagógica do Colégio, a fazer um trabalho de
adaptação de “J” à turma, que passava por um trabalho de cuidado com a higiene
pessoal e com seu material, paralelo à identificação de suas potencialidades,
visto que pela sua aparência era visível o reconhecimento de um indivíduo
sindromático, mas que a família não finalizou o trabalho de diagnóstico da
síndrome junto a profissionais. Percebemos que “J”, apesar de ter uma fala
comprometida, possuía um discurso bem elaborado, assim como uma escrita coesa e
clara, quando traduzida oralmente pelo estudante – esse processo, inicialmente,
foi complexo, pois exigia tempo e paciência para a compreensão das informações.
Tomamos a primeira medida: fizemos a proposta a “J”, que respondesse as
avaliações no editor de texto (Word) enquanto ele não estivesse conseguindo se
comunicar com sua própria escrita. Ele aceitou o desafio. Cabe dizer que ele
tinha o acompanhamento de uma psicopedagoga que, sensibilizada, resolveu
prestar um serviço gratuito a “J”, embora a família dele tivesse condições
financeiras para arcar com esse e com outros serviços especializados, mas que,
talvez, não tivesse uma condição psicológica de fazê-lo. Os anos foram passando
e “J” foi melhorando a fala, muito pelas orientações fornecidas pelo professor
de Teatro (atividades de impostação de voz, de ritmo e de articulação das
palavras), desenvolvendo habilidades motoras, que hoje o ajudaram a ter uma
escrita compreensível, embora ele, ainda, utilize – e muito – o editor de
texto. As dificuldades com a higiene foram superadas. Nas disciplinas das áreas
de Humanas e Linguagens, ele apresentou grande potencial. Nas Ciências da
Natureza e Matemática, ele apresentou o conhecimento conceitual mínimo para ser
promovido ano a ano. Terminou o ensino médio respeitado e admirado pelos
colegas, prestou vestibular, como aluno de inclusão, e foi aprovado. Hoje é
nosso querido ex-aluno e estudante de Jornalismo. Tenho certeza de que terá
sucesso.


