terça-feira, 1 de maio de 2012

Para começo de conversa



“Lutar pela igualdade sempre que as diferenças nos discriminem; lutar pelas diferenças sempre que a igualdade nos descaracterize.”
Boaventura de Souza Santos



Colégio Estadual Landulfo Alves
O Colégio Estadual Landulfo Alves, situado à Avenida Engenheiro Oscar Pontes, s/n, bairro de Água de Meninos, município de Salvador, capital do estado da Bahia, tem sua criação determinada pela Portaria de n.º 667, publicada no Diário Oficial do Estado de 23 de janeiro de 2002.
Colégio Estadual Landulfo Alves é uma das Unidades de Ensino que compõem o Complexo Educacional Jiquitaia, mantido pela Secretaria da Educação do Estado, e inserido no Centro Múltiplo Oscar Cordeiro, do Governo do Estado da Bahia.

 Notícia 
10 ANOS DO COLÉGIO LANDULFO ALVES

“Os anos passam e a nossa história vai sendo construída.                                   
Através dessa construção, nossas vidas vão tomando rumos diferentes.                    
Mas é no espaço escolar que muitas pessoas escrevem um capítulo em comum                                   de sua história individual e coletiva”.

O Colégio Estadual Landulfo Alves já faz parte da história de vida de muitas pessoas – Estudantes, Diretores(as), Professores(as), Corpo Técnico e Funcionários(as).
Inaugurado em 18 de março de 2002, fez, em 2012, 10 anos de existência, resistência, luta, trabalho, ensino e aprendizagem
Desde a sua inauguração, essa unidade escolar é responsável pela oferta do Ensino Médio Regular e Tempo Formativo II.
Iniciou a implantação de um currículo proposto pela Reforma do Ensino Médio, promovendo a transformação das metodologias de ensino, no redimensionamento da aprendizagem, na concepção e planejamento de aulas e, fundamentalmente, na concepção da função da escola numa sociedade que precisa caminhar, cada vez mais, para a valorização: 1. do processo de inclusão social e digital, a partir do respeito à diversidade; 2. da mobilização estudantil, como reconhecimento das potencialidades individuais e coletivas de jovens e adultos; 3. do conhecimento e sua (re)apropriação permanente, reconhecendo a ideia de que se aprende em vários espaços e nas diversas épocas da vida.
Dessa forma, o Colégio Landulfo Alves sempre contou com profissionais de educação competentes para criar a cultura da aprendizagem com qualidade, aparelhando as suas dependências, oferecendo mais recursos didáticos às aulas, ampliando o acesso do(a) estudante à informação e ao conhecimento, utilizando outros espaços de aprendizagem que se afinem com a identidade do alunado, tornando mais prazerosa a sua permanência e assegurando-lhe o sucesso como estudante-ser humano-cidadão.

Parabéns a todos(as) que fizeram e fazem parte dessa história!


 Relatos de experiências 

ATIVIDADES DE ADAPTAÇÃO



Em uma das escolas de Salvador em que desenvolvo minhas atividades educativas, como temos recebido, cada vez mais, ao longo de desses últimos anos, estudantes com necessidades educacionais especiais, temos buscado, antes de qualquer outro procedimento, conhecer esse(a) estudante e adaptá-lo(a) à comunidade escolar e da sala de aula. Para tanto, existem contatos com as famílias, os profissionais que acompanham o(a) estudante para detalhamento dos limites e possibilidades de cada indivíduo(a). Muitas dessas informações são passadas para os professores, que discutem atividades, adaptações, ações a serem colocadas em prática.
A adaptação do(a) estudante à turma é feita de diversas formas: dinâmicas, jogos, exibição de filmes, assembleia de sala, entre outras.
Ainda, assim, existe a necessidade urgente de capacitação dos profissionais da educação para inclusão de estudantes com necessidades educacionais especiais ao processo de ensino e aprendizagem.
    
DESCOBRINDO POSSIBILIDADES

Tenho uma experiência com o uso das Tecnologias Assistivas, em suas diversas possibilidades. Ela foi vivida em uma escola da cidade do Salvador. Tivemos um aluno, o chamarei de “J”, que chegou à escola com 13 anos de idade, cursando o 6o Ano do Ensino Fundamental. “J” dormia muito em sala de aula, babava, era desorganizado com seu material, apresentava dificuldade na fala, na escrita, coordenação motora fina comprometida, era, também, ridicularizado pelos colegas e pouco assistido pela família. Começamos, a equipe pedagógica do Colégio, a fazer um trabalho de adaptação de “J” à turma, que passava por um trabalho de cuidado com a higiene pessoal e com seu material, paralelo à identificação de suas potencialidades, visto que pela sua aparência era visível o reconhecimento de um indivíduo sindromático, mas que a família não finalizou o trabalho de diagnóstico da síndrome junto a profissionais. Percebemos que “J”, apesar de ter uma fala comprometida, possuía um discurso bem elaborado, assim como uma escrita coesa e clara, quando traduzida oralmente pelo estudante – esse processo, inicialmente, foi complexo, pois exigia tempo e paciência para a compreensão das informações. Tomamos a primeira medida: fizemos a proposta a “J”, que respondesse as avaliações no editor de texto (Word) enquanto ele não estivesse conseguindo se comunicar com sua própria escrita. Ele aceitou o desafio. Cabe dizer que ele tinha o acompanhamento de uma psicopedagoga que, sensibilizada, resolveu prestar um serviço gratuito a “J”, embora a família dele tivesse condições financeiras para arcar com esse e com outros serviços especializados, mas que, talvez, não tivesse uma condição psicológica de fazê-lo. Os anos foram passando e “J” foi melhorando a fala, muito pelas orientações fornecidas pelo professor de Teatro (atividades de impostação de voz, de ritmo e de articulação das palavras), desenvolvendo habilidades motoras, que hoje o ajudaram a ter uma escrita compreensível, embora ele, ainda, utilize – e muito – o editor de texto. As dificuldades com a higiene foram superadas. Nas disciplinas das áreas de Humanas e Linguagens, ele apresentou grande potencial. Nas Ciências da Natureza e Matemática, ele apresentou o conhecimento conceitual mínimo para ser promovido ano a ano. Terminou o ensino médio respeitado e admirado pelos colegas, prestou vestibular, como aluno de inclusão, e foi aprovado. Hoje é nosso querido ex-aluno e estudante de Jornalismo. Tenho certeza de que terá sucesso.

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